sexta-feira, 27 de junho de 2008

Às vezes eu sinto saudade

Sinto saudades. E eu odeio sentir isso. Sentir saudades é um exercício estranho, quase sádico. É ficar remoendo coisas boas até elas se transformarem em dor, uma dor calma, mas constante, que se instala bem ali onde as costelas se encontram, naquele lugar onde logo abaixo, eu suponho, se localiza o coração. Meu coração.

Sinto saudades de pessoas, de tempos, de lugares e de coisas. A pior de todas, a que mais machuca é a saudade de pessoas. Saber que você pode não ver nunca mais determinada pessoa me mortifica. Nunca mais. Nunca mais naquele tempo, naquela situação. Nunca mais ouvi-la falar. Nunca mais conversar com ela. Nunca mais estar. Não mais.

A saudade de tempos é a mais nostálgica. Principalmente se ela vem acompanhada do sentimento que aqueles tempos eram melhores, da sensação de que algo ficou para trás e hoje ficou só o vazio. Pior ainda é quando ela vem acompanhada da frustração pelo não feito naqueles tempos, pela sensação de que algo ficou incompleto ou de que você poderia ter aproveitado melhor os tempos passados. Se eu tivesse reclamado menos, se eu tivesse encarado as coisas com outros olhos. Arrependimento. Melancolia.

A saudade de lugares e coisas é mais tranqüila. É quase uma saudade boa. Uma saudade que te lembra que você já esteve em lugares legais, outros nem tanto, mas já esteve. Isso é que importa. De que já fez coisas legais, ou nem tanto, mas já fez e isso é que importa. Que viu coisas legais, outras nem tanto, mas a possibilidade de ver é a que importa.

Mas a saudade de pessoas e tempos, ah, essa é difícil de agüentar.

Hoje eu tenho saudades de rostos, que têm nomes, sotaques e nacionalidades diferentes. Tenho saudades de cidades com nomes improváveis (Paraná? Como assim?), localizadas a oeste, sempre mais a oeste. Tenho saudade de montanhas nevadas e da sensação de escalá-las, mesmo que dentro de um ônibus. Tenho saudades de fazer um programa de rádio com nome de comida. Tenho saudades de andar pela Calle Gualeguaychú altas horas da madrugada. E esse é apenas um dos eixos temáticos das minhas saudades.

Tenho saudade de Santa Maria, da universidade, do campus, da Biblioteca. Tenho saudades do meu apartamento, da escadinha, de pedir comida sem que me cobrassem taxas de entrega. Tenho saudade de ir para as aulas. Tenho saudade de caminhar pela Floriano Peixoto e derreter de calor. Tenho saudade da TV Campus. Tenho saudade de amigos. Tenho saudades das gurias que moravam comigo.

Tenho saudade das minhas irmãs, do meu namorado, dos meus pais. Tenho saudade dos fins de semana na casa dos meus nonos. Tenho saudades da minha casa, do meu quarto.

Eu não gosto de viver de nostalgias, do tempo passado. Mas é que hoje isso tudo se avolumou aqui dentro e deu vontade de escrever (melhor que de chorar).

Às vezes eu sinto saudade. Às vezes é de gente, às vezes é de tempos, de lugares ou de coisas. Às vezes é de tudo isso junto. E cada vez que eu sinto isso eu lembro que o importante é fazer a vida valer a pena.

2 comentários:

MP disse...

Hola Nai!!! Lindo, lindo, lindo texto. Qué tristeza lo que cuentas. Besos desde Paraná

Saudades

Manolo

Tharen disse...

¨AS vezes sinto saudade¨... tao lindo teu texto e tao igual ao que eu sinto nesse momento!

Tharen