sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sobre o “Caso Geisy”.

Eu bem que tentei me manter afastada do assunto “Geisy e seu microvestido rosa”, mas as repercussões sobre o assunto na mídia e em outros espaços, como as conversas descompromissadas entre amigos, me fizeram escrever sobre toda a insanidade e a idiotice que se formou sobre o assunto. E não foram poucas as asneiras que se disse sobre isso nas últimas semanas.

Para início de conversa, o circo que se armou na UNIBAN em torno da loura de vestido curto é fruto de uma cultura machista, compartilhada por toda a sociedade. Você acha que essa coisa de machismo está fora de moda, que é algo cafona e que provavelmente não existe mais, certo? Errado. Conquistamos o direito de votar, assumimos postos cada vez mais altos no mercado de trabalho, adiamos a hora de casar, de ter filhos, para tocar nossos próprios projetos, colocamos na cadeia homens que não pagam pensão alimentícia... mas não hesitamos em chamar de PUTA a menina do vestidinho. Não esqueçam: também havia mulheres no meio da turba de estudantes.

Eu não sou feminista. Nunca li nada referente ao assunto. Conheço Simone de Bouvoir só de ouvir falar. Mas cresci em uma família de mulheres que lutaram muito - por necessidade, não por ideologia - para vencer em um meio machista. Nasci em uma cidade do interior, onde o comportamento de mulher-objeto era encorajado até mesmo em sala de aula. Eu me lembro bem do dia em que uma colega afirmava para a outra que homem gostava mesmo era de mulher que tivesse onde pegar, que homem gostava de unhas compridas, roupas ajustadas, uma crítica ao modo da outra se vestir. Isso tudo na cara do professor, da direção, de todo mundo, que nunca fizeram nada para pelo menos discutir essa posição preconceituosa e atrasada.

Analisando de longe, a Geisy parece ter uma autoestima elevada. Ela não se deixou influenciar pela campanha da magreza divulgada nas passarelas e revistas de moda de todo mundo. Geisy é redondamente, abundantemente, gostosamente feliz com seu corpo. No entanto, é possível perceber que há uma boa dose de machismo até mesmo na forma como ela expressa o orgulho de ser como é. Segundo essa lógica, somente as mulheres sexy são realmente belas, dignas de admiração e afeto. Ela foi só mais uma vítima.

Hoje, Geisy Arruda, 20 anos, louríssima, é a celebridade instantânea do momento. Apareceu na TV, participou do CQTeste (um desastre, diga-se de passagem) e ao que tudo indica vai sair peladona em alguma revista masculina. Ela diz que ainda se sente magoada, mas eu acho que no fundo ela já percebeu que vai lucrar alguma coisa com isso. E eu digo: aproveite, Geisy! Faça o que puder para esticar seus 15 minutos de fama. É o mínimo que você merece. Depois, todo mundo vai esquecer mesmo.

E para nós, telespectadores de toda essa barbaridade, o que resta depois de tanta agitação, tanta coisa dita, tanta ideologia vazia, tanto falso moralismo, tanto preconceito? Nada. Voltamos a viver nossas vidas, afinal, nada de muito importante aconteceu. Não serviu nem mesmo para que assuntos mais pertinentes, como a violência contra a mulher, fossem debatidos. Você vai continuar julgando tua vizinha pelas roupas que ela veste, vai continuar achando que é preciso agradar os homens com a sua aparência e que não existe mais gente machista hoje em dia. E os alunos da UNIBAN, e por extensão toda a sociedade, vão continuar a agir como uns trogloditas, que deixam os instintos mais primitivos dominar a razão e a educação.

Um comentário:

André disse...

É mas ela só fez tanto sucesso porque os noticiários e sites não tinha nenhuma noticia melhor, se fosse tempos de gripe suína ou inicio da crise mundial, ela não teria tanto espaço na mídia. E esse pessoal da Uniban não sabem de nada, agora nunca mais vão ver uma menina de saia na faculdade....